terça-feira, setembro 21, 2004

Ciganadas

Faz Quinta-feira quinze dias, tinha eu ido à Boa Hora testemunhar a favor dum chavalo cigano meu conhecido. Era acusado de tráfico de droga. Fui lá dizer que não…, que era bom rapaz…, que ia à escola…, que não se metia nessas coisas… Mal sabiam eles que este ciganito filho da puta é um agarrado de primeira, mais analfabeto cum parafuso, bate na mãe, faz hábito de comer as irmãs à força, enfim… Mas isso agora não interessa.
Como eu dizia, tava eu a caminho da estação do Rossio pa apanhar o comboio pa Rio de Mouro, a fins de ir ter com a minha marafona da semana, e pelo caminho apreciando a casta metropolitana feminina, quando eis que me aparece um encavado de primeira apanha que dispara logo esta: - Desculpa mas não resisti fofura, queres ir a minha casa tomar um copo e mais qualquer coisa? Faço o que quiseres…
O meu primeiro instinto foi gritar logo: - Põe-te mas é nas putas cabrão, senão fodo-te de tal maneira por dentro que nunca mais mijas de pé!!!!
Mas depois lembrei-me que este suga-piços se calhar já mijava sentado mesmo, e mais importante, que o Virgílio, o tal ciganito, me tinha ficado a dever uma. Por isso, engoli em seco e respondi: - Agora não posso que tou atrasado… mas se quiseres podemo-nos encontrar no jardim do Liceu Camões, lá pás onze e meia, ao pé do coreto. E ficou combinado.
Eu nem apareci, fui martelar o cu à marafona, mas diz quem viu que tal espectáculo nunca havia sido presenciado naquela distinta zona: Uma bicha toda esgroviada, de camisinha de rede preta aberta até ao umbigo e calça negra de napa, a correr Duque de Loulé abaixo, a gritar que nem uma desvairada, com sete ciganos encorpados no encalço, armados de paus e pedras a tratá-la de muito maus modos. Pena foi o Virgílio ter ido de cana na mesma….

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