quarta-feira, setembro 15, 2004

Ok, eu seguro

A Ok Teleseguro, apesar de ser uma seguradora e só por isso merecer o meu infindável asco, mudou a campanha publicitária, o que muito me apraz. Agora temos uma tipa a ligar para a Marta, queixando-se que tem um furo e já não temos que gramar com um paneleiro que se vê à rasca para sacar boleia a uma mamalhuda e deixar o Fiat Uno na berma da Calçada de Carriche. Foda-se, gajos sem imaginação nem deveriam poder tirar a carta de condução. Ao menos batia um coiro decente à Marta, daqueles que o meu avô sabiamente me leccionou na esplanada da estação de comboios de Mem Martins.
O novo anúncio da empresa, embora aparentemente inocente, provoca em mim uma sensação de gozo e alegria que já não sentia desde que a TVI dava o Jogo do Ganso e eu esgalhava uma canhota em cada uma das quatro partes do concurso. Olho para aquilo e vejo – nitidamente - a segurada e a operadora telefónica engalfinhadas uma na outra em cima do capot do carro, reluzentes e escorregadias de tanto esfregarem Castrol GTX nas tetas uma da outra. Cena verdadeiramente angélica e justificativa de tantos calendários que pendem nas paredes cinzas de diversas oficinas por essas estradas fora. O macaco, esse, sou eu, com a diferença que não baixo. As oleosas deleitam-se com a pujança do instrumento como se não lhes tratassem do furo há mais de uma década. A noite, enfim, cai. Eu bazo, porque o Benfica começa às oito e meia. Elas vão para casa de autocarro porque não sou criado de ninguém para andar a mudar pneus. Elas que chamem os maridos.

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