terça-feira, setembro 21, 2004

Uma tragédia no concelho da Amadora

A semana transacta, peregrinava eu pelas supimpas avenidas da Reboleira, parei num semáforo e constatei que, na viatura ao lado da minha, a papaia era da fresca. A loirita olhava em frente, e as janelas do Opel Corsa faziam adivinhar uma prateleira que aguentava com a minha colecção do Asterix, em capa dura.
Para chamar a atenção do apreciável exemplar, aumentei ligeiramente o volume do rádio. Por muito que me custasse, lá gramei com os Coldplay uns decibéis acima do aconselhável (em rigor, uma unidade de decibél), mas foi bulício que me indemnizou inteiramente. A gaja olhou e eu atirei logo: “És daqui?” A menina riu, puxou o cabelo para trás da orelha e acenou que sim. “Encosta aí que vamos beber um café”, ordenei, enquanto acabava com a agonia do sonoro (cabrões dos ingleses, lixam-me o subwoofer todo, pá...).
A tipa saiu do carro, umbiguinho no sítio, tetas conforme prometido, mas no entanto ostentava um semblante mais sério do que se augurava. “Vamos ali à esplanada do Vermelhão da Reboleira”, sugeri, alheio à desconfiança da fêmea. Passaram-se cinco minutos de incipiente diálogo, quatro dos quais foram passados a fixar-lhe as mamas. Ela não ria por aí além e notei até algum constrangimento. Como sou um gajo preocupado, perguntei: “Foda-se, estás mal dos cornos, ou quê?”. Ela respondeu que estava bem, mas que já lhe tinham falado de mim e que já sabia como é que ia acabar a tarde: bem disposta, mas sem a sensação de estar a construir um futuro a dois (alguém se desbroncou sobre o meu modus operandi, desconfio desta puta).
Sou uma besta honesta e resolvi precipitar o fim do adventício encontro, até porque para mim o futuro a dois passa por um casal de lésbicas na banheira lá de casa. Entabulei negociações e concordámos em resolver o impasse com uma foda mal alinhavada nas casas de banho das Galerias Comerciais Buenos Aires, na transversal da Escola C+S n.º 4 da Amadora – “para que fiques bem disposta, e quem sabe se não há aqui um amanhã (as merdas que um gajo profere para cerrar a viga em seio farto!), vais ver que te divertes...”
Para lá fomos e lá nos viemos. Falo por mim claro, que nestas andanças do sexo não gosto de me meter na vida dos outros. Enfim, achei que já tinha metido o mais importante.

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