terça-feira, novembro 30, 2004

É a vida

Sábado passado, lá pas quinhentas da manhã, tava eu junto às rullotes em Alcântara, a degustar um cachorro com tudo, como só aquela gente sabe preparar, quando se chegou a mim um bófia que ladrou logo:
“- È favor mostrar-me a sua identificação.”
Pensei: “Ai o caralho que este vai-me azedar a noite...” Indaguei.
“- Tá aqui Sr. Guarda, mas o quê que se passa?” E o calino retorquiu:
“- Sr. Agente. Quero só verificar uma coisa…” Raciocinei: “Grande panasca, arria as calças que já verificas, vai salsicha, pão de cachorro, vai tudo. A batatinha frita até te arranha o olho...”
“- Você é que é o gajo conhecido por Cerveja Morna?” Perguntou o corçel desconfiado.
Cogitei: “Tou fodido, alguém se chibou. Mantém a calma e pode ser que te safes.”
Convicto declarei: ”- Não, mas conheço a peça. Costuma andar lá pós meus lados...”
“- É que esse filha da puta emprenhou a minha irmã mais nova. Fez dezoito não tem seis meses e já tá grávida de dois.” Interrompeu irritado o patrulha.
Matutei:” Ai a puta da minha vida… Só pode ser a Vânia… Larguei-lhe há uns tempos uma foda mal dada. Tava sem borrachinhas, propus-lhe um enrrabanço. Disse que não. Olha, foi à moda antiga. Tirar antes do estoiro. Não resultou. Caralho…agora livra-te desta...Pensa…”
“- Quando o apanhar vai levar um arraial de cacete que nunca mais se levanta!” Desabafou o mano enraivecido. Aí surgiu-me a ideia. Mato dois coelhos duma cajadada só, qués ver…a ver se cola.”
“- Cerveja é alcunha. O gajo chama-se Zeca e costuma andar muito com uma Sandra mas tem sempre uns arranjinhos à parte, lá pós lados de Queluz.” Esclareci serenamente.
“- Ok, obrigado pela dica, anda lá que eu pago-te uma cerveja.” Afirmou agradecido o coirão fardado.
E foi assim, acabei a noite a mamar bujecas à pala do cunhado. Depois fui pa casa directo e agora tenho andado ligeirinho e desaparecido, o que explica a minha ausência de escrita, não vá o Diabo tecê-las. Mas acho que as coisas já acalmaram. Disse-me o meu primo, que um tal Zeca foi apanhado numa operação STOP em Massamá e encontraram-lhe cavalo no banco da frente. Acha que até já tá em preventiva. É a vida...

sexta-feira, novembro 19, 2004

Cinefilia

Quarta-Feira passada, tava eu a sorver a minha bica vespertina, com cheirinho, numa mesa do snack bar do Centro Comercial Babilónia, na Amadora, eis senão quando se aproximou da minha pessoa uma pitinha mulata, boa como tudo que espingardou logo:
"- Então tás bom, rapaz??"
Fazia a puta da mínima ideia de quem era aquela gaja mas a qualidade da febra merecia investigação. Não me desfiz.
"- Tou e tu?" respondi com convicção.
Tava bem e não sei o quê e nunca mais me tinha visto e o caralho que eu nunca mais tinha dito nada e tal... Continuei a não me desfazer.
Pois é, sim senhor, é a vida, bla bla bla e os colhões. Continuava a não fazer a puta da mínima...
Por fim lá deixou caír a deixa: "- É que desde que deixaste de andar com a minha irmã, a Vanda, que desapareceste..."
Aí acendeu-me o neon nos cornos. Era a maninha mais nova da Vanda. Uma javarda a quem eu tinha largado umas cabeçadas no céu da boca e uns quantos pontapés no útero. Na altura devia ter uns 12 aninhos e já prometia mas agora, foda-se se ela não cumpria!! Pensei: " Vai ser mais uma pa marcar na coronha da pistola..." Ataquei:
"- E vais para casa, tens alguma coisa combinado ou dá pa ir ao cinema?"
A prontidão de resposta espantou-me até a mim, a puta...
"- Ganda boa ideia!!! Sempre te quiz apanhar no escurinho...
Enfim, depois foi o de sempre, comprámos bilhetes pa uma chachada qualquer e ainda não tinham acabado as apresentações, já ela tinha abocanhado o maçarico e só o largou quando propus enfiá-lo no ilhó.
Como é bom satisfazer as fantasias das meninas imberbes... Imberbe o caralho que esta já tinha mais rodagem cum Radiotáxi!!!

quinta-feira, novembro 11, 2004

Viagens na Minha Terra

O cabrão do meu cunhado, a quem tratei do IRS há uns dias, não se desenmerda com nada. Aliás, suspeito que o filho da puta (era mesmo essa a profissão da mãe dele, que pastava ali para os lados da Rodrigo da Fonseca, ao Ritz, e onde aliás o conheci, quando o imbecil me deu o troco por lhe ter montado a matriarca; crendo que era malandro entendido em fodas, apresentei-o à minha irmã) nem uma punheta desenrasca a ver os Morangos Com Açúcar, o que constitui tarefa elementar para qualquer gajo que se orgulhe da tromba rija.
Bom, sucedeu que o asno foi caçado a conduzir com 1,3 de álcool no sangue, depois de ter ingerido um mero traçado durante o jantar. Como ficou sem habilitação que lhe permitisse guiar, lá tive que acompanhar a abécula a Matosinhos, onde o patrão do javardo tem negócios.
Saímos às oito e meia e às onze já lá estávamos, pois os broches que a mãezinha dele arquitectava foram bastantes para adquirir um 206 GTI, em segunda mão. Ele foi à vida dele, eu fui à minha. Comecei por um café que se patenteou assaz em fauna. Optei pela menos saloia e atirei um clássico “És daqui?”. “Sô, porquiê?” retorquiu a espevitada. “Não sei quê vi-te no Rock in Rio e o camandro e era fixe era mostrares-me as redondezas e já viste o meu carro e mais não sei que caralho...” A putéfia revelou-se complicada de agarrar, qual truta a lutar com a cana. Mas depois percebi que era mesmo isso que ela queria: a cana, concretamente com uma linha de meita a sair-lhe da ponta. Depois de compreender o busílis da questão, foi sempre a assapar. Santo Tirso, Ermesinde, Leixões, Espinho, Leça da Palmeira e Gondomar são agora terras onde deixei semente, porque não há gota de gosma que não acabe no chão quando se termina a demanda.
Despedi-me da gaiata com um “vê se apareces para ver se jogas tão bem fora como em casa” ao qual a cabrita espirituosa replicou com um “bou pois bou, que um moço como tu bale bem a pena os quilómetros”.
No regresso demorámos um pouco mais, porque a amélia do meu cunhado enjoou na A1 e porque ali na estação de serviço da Mealhada convenci uma funcionária da Galp a ofertar cu sob o embalo dos carros que aceleravam na auto-estrada, num vai-e-vem propício ao movimento pendular que se impunha na situação. Mais uma grande foda, foi o que foi.

terça-feira, novembro 09, 2004

Pecados não muito originais

Sábado à tarde, tava eu em casa a curar uma cadela de caixão à cova, proveniente de arraial da véspera quando tocaram à porta. Depois de umas quantas caralhadas lá me arrastei até à porta com o intuito de mandar laurear dali pra fora, qualquer camelo que lá estivesse estacado. Abri. Do lado de lá estavam, em sentido, dois coirões. Uma de tenra idade e outra já mais antiquada. A veterana atacou logo.
"- Boa tarde jovem, estará porventura interessado em ouvir a mensagem de Nosso Senhor Jeová?"
"Só se for mensagem escrita" Pensei. Mas antes que eu pudesse pôr as putas nas mesmas, insistiu rapidamente."- Só ele é Salvador, só ele perdoa os nossos pecados terrenos."
"...Oh minha senhora..." Tentei responder. Mais uma vez interrompeu."- Jovem, não é tarde para atingires a salvação, basta ter fé..."Pensei. "Da-se, só me faltava este par de beatas pa piorar as coisas. Mas... a ver se saco alguma coisa de jeito."
Dado o torpor ébrio, só nessa altura havia reparado que a pitinha até era boa de comer e a carunchosa ainda tava em idade de consumo. "Seja o que Nosso Senhor quiser..." Meditei e passei ao ataque. " - Pois sim, entrem por obséquio."
Passada meia hora de paleio da treta e não se vislumbrava qualquer resultado satisfatório, ou seja, ainda tava muito longe de dar corda ao pincel quando, como que por intervenção divina, qual aparição, me surgiu a ideia. Vou-lhes molhar a greta. Então aí encetei um festival de perguntas sobre Sexo, o vulgo foder: Se trabalho de mão era permitido, se mamada era pecado, se comer cu levava ao Inferno, se fazer gravata era pagão, quais as posições aceitáveis, canzana incluída, se tavam os três condenados se fossem duas gajas e um gajo, se havia algum problema em usar a língua sem meter, por aí adiante. Lá pó meio reparei que já lhes tava a subir os calores. A mais nova já descruzava as pernas e a antiga até já lambia as beiças. Quando acabei a inquirição tavam mesmo no ponto e aí rematei:"- E digam-me o que devo fazer quando tou mesmo muito excitado como agora?" Aí exclamaram as duas: " Ai Jovem!!..."Daí pa frente aquilo é que foi pecar como manda a lei. Até me passou a ressaca. E as fieis passaram logo a descrentes pois já só gritavam: "- Ai Meu Deus que eu não acredito!!! Credo que isto não existe!!!! Valha-me Nosso Senhor que eu não posso!!! Cruzes que eu não sabia que isto era possível!!!! Enfim, faz-se o que se pode neste mundo do Demo e o gajo fica-me a dever mais estas duas que desencaminhei pó lado dele.

terça-feira, novembro 02, 2004

Coisas da Vida

Há dias fui ao Serviço de Finanças de Bucelas pa tratar de uns assuntos pó meu cunhado. O cabrão tinha-se esquivado ao IRS mas agora precisava de uma declaração pó infantário da Tânia, a sua mais nova e portanto mandou-me a mim, armado de procuração, acertar contas co Estado. Já tava de seca há paí uns vinte minutos e aquela merda nunca mais andava. Comecei a mancar os funcionários a ver qual deles seria mais ameno, e claro se havia alguma que aguçasse o cacete. No balcão n.º 2 tava uma cota com ares de até ser comestível. Fitei-lhe os úberes a ver se mereciam labuta da minha parte. Mereciam pois.
O destino tem destas coisas e não é que me calhou mesmo a anciã rameira do n.º 2. Aproximei-me do balcão e daquele ponto vislumbrava-lhe as tetas até ao umbigo. Boas e rijas por sinal...
- Bom dia... - murmurou ela. Retorqui a saudação ainda meio atarantado com aquela parelha mamária.Passados cinco minutos os tributos do meu cunhado já tavam resolvidos mas os atributos da madura ainda careciam de algum forcejo da minha parte a fim de os atalhar. No entanto a coisa ia bem encaminhada. Chamava-se Suzette, era divorciada, vivia em Queluz com a filha mas agora tava sozinha porque a filha tinha tido uns problemas e então havia-se mudado pó Canada, pa casa dos tios...
Esta parte soou-me familiar mas não podia ser... era a puta da coincidência! Investiguei: "E tal e como é que é que ela se chama e não sei quê que eu conheço pessoal naquela zona e o caralho?"A resposta gelou-me o sangue e a esporra. Segredou-me o nome como se fosse o terceiro milagre dos pastorinhos: - Sandra...trabalhava na Sical do Intermarche de Barcarena... conheces?Balbuciei um não meio engasgado. Esta vida é de arrepiar os pentelhos do cu!! Tinha comido a filha há uns tempos e a vaca só me tinha arranjado chinfrim. Primeiro foi o namorado adornado de antenas que me queria aviar porrada. E depois, quando por vingança fiz um vídeo amador de teor sexual com a Sandra como actriz principal, tudo o que era melro da zona me queria linchar porque, apesar de mascarado, tinha-me esquecido que o vergalho do actor era já deveras conhecido por tudo o que era grelo nas proximidades. Aquilo é que tinha sido as putinhas todas a ver o filme mais os respectivos e ingenuamente a exclamar: "Mas eu conheço aquele rapaz é o...!!" Durante uns tempos andou meio mundo atrás de mim por que eu tinha fodido a outra metade. Só pararam quando descobriram que eu me dava muito com a ciganada do bairro social de Moscavide. Pensei: "Tem calma, tá tudo bem, não há crise. Ela não te conhece e agora já não há chatice em andares lá p'aqueles sítios. Ainda há semana passada afunilaste uma dama comprometida lá das redondezas e ninguém te quis pôr a pata em cima. Vai correr tudo bem." E correu.
No mesmo dia há noite fui lá jantar a casa "pa lhe fazer companhia" que a Dona Suzette tem andado muito acabrunhada com a partida inesperada da filha. E tenho-lhe feito companhia quase todas as noites. Às vezes às três e quatro vezes por noite. Já conheço aquelas mamoas de trás pá frente e as nádegas até já me tratam por tu. Mas enfim... já tá a fartar e há que avançar... em busca da próxima ventrecha que neste negócio ninguém faz pontos só a jogar em casa.