O Desafio
Sábado à tarde, oito de Janeiro do corrente ano do Senhor, tava eu no “Besugo”, o Snack do primo do meu cunhado que fica ali pós lados da Ameixoeira. Deliciava a vista contemplando os tetos da Gorete, a proletária que costuma servir ao balcão aos fins-de-semana e mais pá noite, depois de umas quantas jolas, no banco de trás do Fiat Uno do paizinho, quando me comecei a aperceber da conversa de um marmanjo na mesa do canto: “- Ah e o caralho e papo gajas todos os dias, já nem me lembro quantas saquei, elas gostam é de puxar lustro aqui à lanterna do “Papa Coentros”. Afinei os ouvidos. Não é que o gajo se gabava de ser o maior angariador de grelo de Lisboa e arredores. Resolvi intervir:“- Peço perdão, não pude deixar de ouvir (o gajo falava tão alto que mais parecia ter engolido um megafone e cagado um subwoofer) mas permita-me discordar da sua pretensão (fica sempre bem este palavreado caro a encetar conversa, acreditem, já papei muita fulana com estas aberturas o que me permitiu levar a outras de género diverso posteriormente) pois na minha humilde opinião e salvo o devido respeito, eu sou o maior armazenista de caixas de fóda nesta capital…”
Aí a conversa azedou. “Paneleiro dum caralho, vai-te mas é fóder, Cabrão!! Cabrão és tu mais o gajo que vive com a tua mãe e que julga ser teu pai!!! Ah é!! Vai mas é levar no pacote!! Vai tu que´ssa merda já parece mesmo um pacote de leite!! Mais uns quantos encavanços e podes tatuar “Gresso - Meio gordo” nas cachadas do rabo!!!”
Enfim, quando a malta já agarrava em copos, tacos, cadeiras, qualquer coisa que desse pa rachar mona, o Martins, dono do estabelecimento, dotado de grande sabedoria, e nessa ponto, de uma caçadeira de canos cerrados carregada com chumbo fino de varar perdiz, serenou a discussão com um pujante: “- Foda-se!!! O primeiro gajo que tente fazer desarranjo ganha um novo buraco do cu!!!!“ Serenámos logo.
Prosseguindo no apaziguar dos calores, declarou: “- Se querem saber quem é o maior papa ratas da capital, vamos fazer um concurso, aqui ficam as Regras: O gajo que comer mais gajas numa semana ganha. Não valem primas, tias ou qualquer familiar, amigas, apaixonadas ou putas. Têm que ser sempre diferentes, não vale repetições e têm que ser desconhecidas. Vale qualquer buraco do cu à boca. Só marcam ponto se trouxerem as cuequinhas das javardas assinadas, por mão própria, não seladas que isso é simplesmente nojento. Se tentarem fazer batota, hão de se haver comigo porque vou pôr uns vigias no vosso encalço!!” A seriedade da advertência justificava-se pelos 6 anos passados em Caxias, por duplo homicídio. E assim ficou estipulado.
Já ia a meio da semana, quarta-feira, e só havia marcado 2 pontos. Semana muito calma devido ao facto de ainda muita chavala não ter regressado das férias do Natal e as que tinham, tavam preocupadas cos testes ou exames. Não tavam paí viradas, não o queriam pôr a jeito, não tavam com cabeça nem boca pa essas coisas. Pobre de mim… eu que só na 1.ª semana do Europeu cheguei às 12. E o pior de tudo é que o adversário já levava vantagem: “5” conforme se podia ler na ardósia à frente da tasca, por baixo do prato do dia “Grelhada Mista 6.5€”.
Quinta ao meio-dia já vislumbrava derrota feia, eu com 3 e o outro com 8. Só um milagre me podia salvar. E salvou. Chamou-se: “Encontro Nacional de Andebol Amador Feminino”, em Carcavelos. Fui pa lá Quinta à noite e só saí Sábado de manhã. Não eram nada de especial mas tinham uma grande qualidade: Só queriam era foder. Rodei a equipa toda de Arcos de Valdevez, Proença à Nova, e as suplentes de Castelo Branco que só tocaram nas bolas fora de campo, coitadinhas...
Mas no Sábado, fim do prazo, lá me apresentei eu no Besugo, com 13 cuecas desportivas no saco, e com o outro pra lá da reserva. Feitas as contas ganhei, por três, o título de “O Fodilhão da Estrela”
Mais tarde veio-se a descobrir que o Coentros tinha feito batota, a mãezinha que é escriturária tinha-lhe assinado umas quantas. Essa agora vai pó serviço com a coalheira ao léu e o filhinho tá no S. José a recuperar dos traumatismos.
