Histórias Encantadas Suburbanas
Era uma vez uma menina que vivia com a mãe, divorciada por sinal, numa casa de habitação social junto a Monsanto. Certo dia sua mãe, por estar a ressacar do remédio e precisar de angariar pastel, pediu à menina que fosse visitar a sua avozinha que vivia do outro lado do arvoredo, enquanto ela recebia em casa, dois ou três amigos, que em troca de uns quantos arremessos de vara lhe iriam conceder o carcanhol necessário pa matar o bichinho.
“- Mas não vás pela floresta que ainda te violam outra vez!!! – Advertiu a mãe. “- E leva o sobretudo vermelho com capuz senão ainda apanhas uma constipação do caralho e eu não tou pa cuidar de ti!!! Ah e já agora leva-lhe estas merdas que eu comprei no LIDL!!! Acrescentou.
E lá foi a menina, de saco a tira colo em direcção à paragem de autocarro pa apanhar o 233 da Rodoviária. Quando estava quase a chegar pensou para si. “Agora tenho que ir visitar a velha que tá mais esclerosada que um saco de pregos!!! Ainda por cima é quase uma hora de caminho pa chegar lá, Da-se!!! Vou mas é por Monsanto. Lá pás cinco já tou despachada e ainda vou a tempo de ir ter com a malta ao Mac. do Colombo.”
E assim foi, ignorando os conselhos da agarrada sua mãe, resolveu atravessar a floresta, caminhando feliz e contente, enquanto fumava uma ganza e ouvia o último dos “DaWeasel” no disckman qua havia comprado baratinho na feira do relógio.Tão distraída ia ela que nem reparou num gajo de Raça Africana que já a vinha a seguir de carro desde a paragem. Assustou-se quando ele parou a seu lado e lhe falou: “- Então chavala!? Onde é que vai uma dama tão bonita a estas horas!?” Perguntou.
“- Porra, quase que me caíam os colhões, pregaste-me um cagaço!!!” Respondeu docemente.
“- Vou ver a minha avó que tá toda a abrasada!!! Continuou.
“- E onde é que ela vive, senão é indiscrição?” Perguntou o gajo.
“- Num casebre clandestino do outro lado da floresta, e depois!!! Põe-te mas é na alheta, cabrão!!! E o gajo arrancou a toda a velocidade: “Não perdes pela demora. Ninguém fala assim com o Lobo de Monsanto” Pensou.
O Lobo rapidamente encontrou a casa da avozinha pois toda a gente conhecia a devassa da neta. Bateu à porta. Do outro lado ouviu-se uma voz tremida: “- Mas quem é caralho, tava a xonar!!!" A velha que abriu a porta exalava um cheirete a bagaço, capaz de matar um urso a 200 metros. Rapidamente, o Lobo enfiou uma cabeçada na montra da velha e meteu-a num armário. Depois sentou-se calmamente ansiando pela vingança. Enquanto esperava resolveu mamar uns tragos da garrafa pousada em cima da mesa. Coisa potente pois passados 25 minutos já a tinha deitado abaixo e tava com uma bezana tal naqueles cornos que se foi deitar no colchão podre encostado a um canto e adormeceu.
Quando o capuchinho, alcunha angariada por só fazer broche com preservativo, entrou na casa da avó, deu com o Lobo, deitado na cama. Pensou “ Mas o quê que este animal tá a fazer aqui? Quês ver que chinou a velha e agora tava à minha espera. Eu já te lixo.” Pé ante pé voltou a sair da barraca, foi ter com um arrumador que costumava pairar lá pá aqueles lados e gritou:“ – Oh drógado !! Se me fizeres um favor dou-te 10 Euros.” Ao que ele respondeu:“- Eh lá!! Por 10 Euros vendia a minha mãe!!!” E lá ficou acordado. Dez Euros e um esgalho de mão. Regateou bem o viciado.
Quando o Lobo acordou sentiu que algo não estava bem. Sentia uma grande dor de cornos, outra ainda maior no rabo e tinha as calças puxadas para baixo. Vestiu-as e foi até ao armário mas estava vazio. Não tava a gostar nada daquilo. Saiu de imediato e vislumbrou um gajo sentado do outro lado da estrada com um ar todo satisfeito a fumar um cigarro. Gritou-lhe:“- Oh Chefe, por acaso não viste uma velha estuporada e uma miúda de casaco vermelho?
”– Ya,…..por acaso até vi….. Até te deixaram um recado, men….“
"- Qual?” – Gritou furioso.
“ - Disseram pa te dizer que enquanto te lembrares do enrrabanço que levastes nessa peida, vais pensar duas vezes em aviar cabeçadas às senhoras!!!”
O Lobo, toldado pela raiva, disparou atravessando a rua em direcção ao homem, de tal maneira cego pelo ódio, que nem reparou no semi-reboque que vinha a abrir estrada abaixo….

Nada menos que genial!