terça-feira, abril 12, 2005

A Visita

Quarta-Feira passada fui visitar o Virgílio, um cigano meu amigo que julgo já ter mencionado nas minhas prosas, ao Estabelecimento Prisional de Monsanto.
Quando lá cheguei, era só rebanhos de ucranianas, agarradas aos sacos do LIDL, a mandar vir com os guardas porque não entendiam que lhes tinham de vasculhar as merdas todas. As Cabo Verdianas, essas já mais batidas nestas lides, colaboravam civilizadamente. A matrona despachava os tarecos enquanto a filha mais velha preenchia as fichas de visita e a mais nova embalava o rebento.
Lá mais à frente tive de deixar as cenas todas com um chavalo com ar de grunho. Avisei-o logo: “- Se me desaparecer alguma coisa, sai-te do bolso, e olha que eu contei o carcanhol!!” Depois de atravessar paí uma trezentas portas de enferrujadas, cada uma com o seu guarda adjudicado, sim porque esta malta intitula-se Guarda Prisional e depois passa o dia a abrir e fechar portinhas, lá cheguei ao detector de metais. Não acusei nada ao apito, o que até achei estranho porque sou o feliz proprietário de três dentes de chumbo desde que uma vez fui apanhado pelo Alcino, ladrilhador de profissão, a papar-lhe a filha, a Soraya, à canzana no baldio por trás do prédio da minha tia. Pelos préstimos da descendente cobrou-me em sopapos na boca.
Quando entrei na sala de visitas foi o de sempre. Uns quantos, com as noivas ao colo, a fornicá-las discretamente, outros, a levar repreensão verbal séria das respectivas esposas porque sozinhas já não dão conta do recado e o dinheiro não chega e o caralho e mai não sei o quê… enfim…e outros tantos em amena cavaqueira com pai, filho, filha, mãe, tio, avô e Espírito Santo, simplesmente a passar tempo.
Lá me sentei de frente pó Virgílio. Então tas bom e os colhões e vai-se andando e bla bla bla. Havia estranhado o pedido de visita por parte do cigano. Não era de grandes lamechices e a família e umas quantas luvas garantiam-lhe uns miminhos e boa vida aqui no interno. Lá se explicou. Andava agastado com a sua noiva, a Lucília, pois com ele cá dentro durante pelo menos mais dois anos, não havia de faltar marmanjo a tentar ir-lhe ao pêlo mesmo sob ameaça de morte. Compreendo a sua preocupação pois o espécime em questão dava a volta ao miolo a qualquer gajo. Boa comó milho e segundo sei, faz tudo, o que faz desta cabrita, 56 quilos e metro e sessenta e cinco de pura diversão. Pediu-me encarecidamente, a título de favor pessoal que olhasse pela menina ao que eu relutantemente acedi já que, ele não sabe disto mas, eu já durante o seu exercício, por duas ou três vezes me aventurei pelas pernas acima da Lucília, dei a volta e desci por trás. Lá pó fim as coisas amargaram entre nós porque ela, ovelha esganada, queria manter os dois pastores mas eu, que tenho amor à minha pessoa, encerrei a coisa. E agora vou ter que escoltar a madame!!Levantei-me amargurado com a puta da vida mas quando ia a sair apanhei uma ucraniana a olhar de esguelha e pensei. “Vá lá, ao menos já tens qualquer coisa com que te entreter à tarde…”

sexta-feira, abril 01, 2005

Confissões de sexta à noite: breve lição para foder

É sexta-feira, são nove horas da noite e estou aqui sentado a escrever, junto à janela que dá para um beco, cujo cheiro a urina domino vai para vários anos. Nas pedras desse mesmo bocado de rua já deixei muita meita, quer quando bato punhetas a dois metros da janela e me esguicho lá para baixo, quer pela que escorria pelas pernas abaixo das gajas que para lá levava e a quem eu, já satisfeito, retirava a trincha do balde.
Agora a esta hora o beco está deserto. Mas se fizer o inverso do habitual e meter a cabeça de fora vejo um pouco da praceta principal do bairro. De quando em vez, para actualizar os meus ficheiros estatísticos, passo uma horita a ver quem por lá passa. Sobretudo para ver se há alguma puta de uma vizinha que ainda não me tenha dado linguados à ponta do caralho. São poucas, mas já tem aparecido uma ou outra forasteira que merece a corrida escadas abaixo para que eu as leve para baixo do vão das mesmas. Moro no terceiro andar e já aconteceu chegar ao segundo com ele em riste. Façanhas...
Quando não aparece nenhuma peregrina, restam-me duas alternativas: ou repito, o que raramente me apetece porque mesmo aquelas que valem a pena repetir já foram repetidas o suficiente para lhes tratar cada um dos pintelhos por tu; ou faço-me à vida e procuro outra freguesia onde o gado ande à solta e tenha as tetas rijas e os bicos a suplicar por uma chupadela.
Perguntam-me agora vocês o que é que eu tenho a ver com esta merda? E eu, que sou paciente e estou seguro que daqui a três quartos de hora vou ter a cabeça entalada entre as trancas de uma mamalhuda qualquer oriunda da margem sul (condições meteorológicas, obligé), respondo: faz-me espécie mas ao mesmo tempo estou-me a cagar (e estou mesmo, vim até à casa de banho com o portátil) para a enorme cambada de imbecis que gastam fortunas em discotecas e lá passam horas com os tímpanos a serem fodidos e perfurados como se os décibeis fossem moçambicanos, para ver se sacam uma cabrita para levar a pastar. Aqui o Cerveja é poupado, tem os ouvidos em bom estado (minto: já ouvi muitos berros mesmo ao pé de mim mas trataram-se sempre de experiências que valeram bem a gritaria) e fode como decerto ninguém foderá na área metropolitana de Lisboa. Fode e caga.