sexta-feira, abril 01, 2005

Confissões de sexta à noite: breve lição para foder

É sexta-feira, são nove horas da noite e estou aqui sentado a escrever, junto à janela que dá para um beco, cujo cheiro a urina domino vai para vários anos. Nas pedras desse mesmo bocado de rua já deixei muita meita, quer quando bato punhetas a dois metros da janela e me esguicho lá para baixo, quer pela que escorria pelas pernas abaixo das gajas que para lá levava e a quem eu, já satisfeito, retirava a trincha do balde.
Agora a esta hora o beco está deserto. Mas se fizer o inverso do habitual e meter a cabeça de fora vejo um pouco da praceta principal do bairro. De quando em vez, para actualizar os meus ficheiros estatísticos, passo uma horita a ver quem por lá passa. Sobretudo para ver se há alguma puta de uma vizinha que ainda não me tenha dado linguados à ponta do caralho. São poucas, mas já tem aparecido uma ou outra forasteira que merece a corrida escadas abaixo para que eu as leve para baixo do vão das mesmas. Moro no terceiro andar e já aconteceu chegar ao segundo com ele em riste. Façanhas...
Quando não aparece nenhuma peregrina, restam-me duas alternativas: ou repito, o que raramente me apetece porque mesmo aquelas que valem a pena repetir já foram repetidas o suficiente para lhes tratar cada um dos pintelhos por tu; ou faço-me à vida e procuro outra freguesia onde o gado ande à solta e tenha as tetas rijas e os bicos a suplicar por uma chupadela.
Perguntam-me agora vocês o que é que eu tenho a ver com esta merda? E eu, que sou paciente e estou seguro que daqui a três quartos de hora vou ter a cabeça entalada entre as trancas de uma mamalhuda qualquer oriunda da margem sul (condições meteorológicas, obligé), respondo: faz-me espécie mas ao mesmo tempo estou-me a cagar (e estou mesmo, vim até à casa de banho com o portátil) para a enorme cambada de imbecis que gastam fortunas em discotecas e lá passam horas com os tímpanos a serem fodidos e perfurados como se os décibeis fossem moçambicanos, para ver se sacam uma cabrita para levar a pastar. Aqui o Cerveja é poupado, tem os ouvidos em bom estado (minto: já ouvi muitos berros mesmo ao pé de mim mas trataram-se sempre de experiências que valeram bem a gritaria) e fode como decerto ninguém foderá na área metropolitana de Lisboa. Fode e caga.

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