segunda-feira, dezembro 26, 2005

Uma carolada de Natal

Eis um quadro festivo de se lhe tirar o boné: Tempo: 25 de Dezembro de 2005, lá pás quatro e meia da tarde; Espaço: Apartamento da minha avô, no bairro de habitação social, em Moscavide.
Havíamos acabado de almoçar um arrozinho de pato escondido, bem regado com um vinhinho lá da terrinha, Mem-Martins, esclareça-se. E pá sobremesa havíamos deglutido uma mousse de chocolate preparada pela mulher do meu tio, a Vanda, que para além de boa pós doces, também o é pós broches, facto que afirmo com perfeito conhecimento de causa… Mas enfim…, o mulherio tava na cozinha a arear as panelas e a lavar os tachos do rancho e os homens refastelavam-se na sala, a visionar um qualquer filme panasca, aliás próprio da época, na TVI. O avô Toni já ressonava em “loud-speaker” e o meu cunhado tava já a curar recém estreada borrasca, no sofá do canto.
Foi então que resolvi ausentar-me e dirigir-me ao prédio ao lado, mais precisamente, ao Lote 234, Cave Dir., Apt. 6, a fim de receber mais uma das costumeiras prendas de Natal, a ser ofertada neste caso concreto, pela Dona Carlota, uma quota bem rija por sinal, divorciada, que vive sozinha há uns anos desde que perdeu a custódia da filha por andar a lhe dar na coca à grande. Agora tá limpa. Só lhe dá na aguardente. Mas dizia eu, dirigi-me a tal domicílio porque por esta hora, a Sra. Dona Carlota já deve tar bem atestada, devido à depressão natalícia, refira-se, e constitui essa a altura perfeita para lhe aparecer à porta, dado que, quando séria, é dura de lhe dar a volta, mas quando enfrascada e carente, é bem mais oferecida…
Bati à porta. Não tive resposta. Bati de novo. Novamente não obtive resposta (Tu qués ver que já capotou... – pensei). Insisti por uma última vez, por descargo de consciência, antes de regressar à moradia da anciã. Aí, ouvi uns passos desnorteados do outro lado, um encosto num móvel, e uma caralhada, mas finalmente, o bovino lá abriu a porta. Já vinha bonita a gaja, quase que nem dizia duas pá caixa. Fiquei esperançado. Lá me falou.
- Entra…, não tinha ouvido…tava ali… com a minha filha…, que este ano ficou cá…
Aí a expectativa esmoreceu e os tomates caíram. (Caralhos ma fodam!! Agora vou ter que aturar esta avinhada mais a filha. Tou lixado com a puta da vida, eu!!! – Cogitei) Só um milagre me iria salvar. Pedi a Nosso Senhor, à Virgem Maria, ao Menino Jesus e a todos os Santinhos que tivessem de escala pa me salvar, mas a esperança era pouca…
Quando entrei na sala, o milagre aconteceu, a fé renasceu e o pau fez-se. Não é que a filha da Dona Carlota era já maior de idade, boa como tudo e tava mais embriagada cá mãe!!!
E foi assim, um verdadeiro milagre de Natal, profanei as duas durante umas horas valentes, umas vezes ao mesmo tempo, outras, por turnos e até fizeram umas quantas coisas entre elas que eu não me tinha lembrado!!! Quando voltei já era hora da ceia, mas não comi nada, já vinha de barriga cheia e de colhões vazios…

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